Amor romântico mata mulheres

Em 07.03.2016   Arquivado em Textos

Sim, é isso mesmo que você leu. O ideal romântico de amor mata, todos os dias, milhares de mulheres.

Encontrei um texto falando da relação da violência de gênero e o amor romântico e resolvi falar disso aqui no blog.

Eu não sei de quem é essa imagem. Se você souber, por favor, me avise nos comentários para eu poder dar os devidos créditos <3

Eu não sei de quem é essa imagem. Se você souber, por favor, me avise nos comentários para eu poder dar os devidos créditos <3

Amanhã é Dia Internacional na Mulher e, desde que me reconheci como feminista, este dia se tornou muito mais pesado e dolorido do que era quando aprendi seu significado. O Dia Internacional da Mulher marca o dia em que mulheres foram mortas por lutar por salários mais dignos dezenas de anos atrás, e nos dias atuais me lembra também de todas as mulheres que foram mortas pelos próprios parceiros, de todas as mulheres que sofrem em relacionamentos abusivos em nome do “amor”.

O amor romântico é ensinado às mulheres desde o momento em que nascem, seja com a espera pelo príncipe encantado, com a falácia do amor eterno ou com a ideia de que é normal sofrer “por amor”. É esse ideal romântico que nos faz naturalizar violência de gênero, achar ciúme algo saudável, confundir posse com cuidado.

O amor romântico nos ensina naturalizar abuso, porque nos diz que é ok sofrer, ser machucada e humilhada se for pelo “amor verdadeiro”. O amor romântico nos ensina a naturalizar pedofilia porque “amor não tem idade”. O amor romântico nos incentiva a permanecer em relacionamentos nocivos, porque só existe UM amor verdadeiro. O amor romântico nos ensina que existe um príncipe encantado, e que se você o encontra deve permanecer com ele para sempre mesmo que ele se mostre um monstro, porque ele é o “amor da sua vida”. O amor romântico nos diz que é impossível ser feliz sozinha e que ciúme é sinônimo de amor e cuidado. Mas não é.

Ciúme não é cuidado, é sentimento de posse. Pessoas não são coisas, você não pode ter alguém pra si, pode apenas estar com alguém.

É possível ser feliz sozinha SIM, até porque, o único amor verdadeiro é o amor próprio. O romantismo no ensina que precisamos de alguém para sermos completos, mas é mentira. Você não é alguém pela metade! Você é uma pessoa completa e ter alguém do seu lado pode, sim, te trazer alegrias, mas você é completamente capaz de ser feliz na solidão.

O amor romântico incentiva mulheres a atropelarem seu amor próprio enquanto o parceiro abusador pisa na sua auto-estima, mas, acreditem em mim: isso não é amor.

O ideal romântico te encoraja a permanecer do lado de uma pessoa que não te respeita, que mente pra você, que muitas vezes te agride fisicamente, que te trata como lixo. O amor romântico, que é ensinado cansativamente a todas as mulheres, faz com que elas tenham esperança de que a pessoa que as agride vá mudar, porque só existe um amor verdadeiro. Acontece que isso não é verdade! Existem bilhões de seres humanos na face da Terra, é impossível que exista apenas uma pessoa capaz de te fazer feliz em todo o univerno.
O Dia Internacional da Mulher me faz lembrar dos relacionamentos abusivos que já tive, e também me lembra o quanto comportamentos abusivos são recorrentes em relacionamentos amorosos. Mas a gente precisa mudar isso!

E, como fala o texto que mencionei no começo desse post:

“Temos que aprender a romper com os mitos, a nos livrar de imposições de gênero, a dialogar, a desfrutar das pessoas que nos acompanham pelo caminho, a nos unir e nos separar com liberdade, a tratarmos com respeito e ternura, a assimilar as perdas, a construir relações bonitas. Temos que romper com os ciclos de dor que herdamos e reproduzimos inconscientemente, e temos que libertar as mulheres (…) do peso das hierarquias, da tirania dos papéis e da violência. “
Por um mundo com mais amor, menos romantismo e menos naturalização de violência.
Não vou desejar um feliz Dia Internacional da Mulher, porque não é um dia feliz, mas que continue sendo um dia de luta! Força!
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