Categoria "Textos"

Não tem problema ser baleia 🐳

Em 06.02.2017   Arquivado em Textos
Photo by: Thomas Kelley via unsplash.com #pracegover No centro da tela está uma baleia jubarte com cabeça e boa parte do corpo fora da água. Ela se joga de costas na direção direita, com nadadeiras esticadas para a esquerda. O céu está claro e o mar está azul e calmo.

Photo by: Thomas Kelley via unsplash.com
#pracegover No centro da tela está uma baleia jubarte com cabeça e boa parte do corpo fora da água. Ela se joga de costas na direção direita, com nadadeiras esticadas para a esquerda. O céu está claro e o mar está azul e calmo.

Não, você não leu errado, não tem problema nenhum em ser baleia. Assim como não tem problema ser elefante, hipopótamo, rinoceronte, não tem nada de errado em ser grande e forte.

Quando você é uma criança ou adolescente gordo, você costuma escutar de coleguinhas não muito queridos que você é algum desses mamíferos. Você é gordo, já sofre horrores por se sentir diferente das outras pessoas, por ter dificuldade de comprar roupas, ter medo de sentar em cadeiras de plástico, não conseguir sentar direito na poltrona do cinema, ter medo de não conseguir passar na catraca do ônibus, ir ao médico com uma dor no joelho porque adivinha? Você está crescendo! E o médico falar que o problema é o fato de que você é gordo e precisa emagrecer! Como se tudo isso não bastasse, esse peso extra ainda incomoda e causa desconforto nos teus colegas de classe.

Eu não sei ao certo porque isso acontece, provavelmente porque somos bombardeados com notícias e informações que estão o tempo todo dizendo o quanto é errado, feio e doente ser gordo. Mas isso não é verdade! Você pode pesar quantos quilos quiser porque só você tem direito de ser fiscal da tua vida. Você resolveu emagrecer por que achou que seria bom pra você? Isso é ótimo! Você resolveu continuar gorda porque está muito bem assim? Isso também é ótimo! Você é seu guia, só você pode fazer tuas escolhas. Você não tem que se encolher porque a sociedade não consegue compreender e respeitar a existência de pessoas gordas, nós precisamos fazer barulho, e a sociedade vai ter que se adequar.

Eu aposto que você é uma pessoa linda por inteiro, por dentro, por fora, do avesso, e ninguém tem o direito de medir o teu valor por quantos quilos você pesa. Não existe essa de “você tem um rosto lindo, mas se emagrecesse 10kg ficaria perfeita”, você é perfeita como você é, e se alguém falar o contrário pode ter certeza que essa pessoa não merece falar contigo nem com seu anjo. hahaha

Ser magro ou gordo não diminui quem você é. Não existe valor moral, financeiro em ser magro ou gordo, não existe valor nenhum. Nada disso te torna certo ou errado, te torna apenas humano, com características que formam quem você é, assim como ser baixo, alto, loiro, moreno. Você está apenas existindo, e ninguém tem direito de tornar tua existência ainda mais difícil.

É exatamente por esse motivo que eu escolhi ser uma baleia: baleias são mamíferos incríveis, enormes e pesados que chamam atenção por onde passam, que causam medo, espanto, mas também causam encantamento e amor, possuem um canto incrível e são seres maravilhosos. Não existe uma forma de passar despercebida sendo baleia, não existe uma forma de se sentir pequeno e inferior porque você é linda, graciosa e ainda é o maior mamífero do planeta! E é por isso que hoje eu sou uma baleia.

E você? O que gostaria de ser?

Tatuagem e foto por: Luciano Tattoo #pracegover uma tatuagem de baleia jubarte feita em pontilhismo preto e cinza.

Tatuagem e foto por: Luciano Tattoo
#pracegover uma tatuagem de baleia jubarte feita em pontilhismo preto e cinza.

*Por esse motivo tenho uma tatuagem de baleia no braço (foto acima)

**Se alguém também tiver tatuagem de baleia me manda, vou amar receber! ♥

Adivinha quem chegou

Em 23.11.2016   Arquivado em Looks, Pessoal e blá blá blá, Textos
(Primeiro lookinho no blog)

(Primeiro lookinho no blog)

Oi, gente!

Eu sou a nova colaboradora e coautora do maruja! Meu nome é Rebecca, sou do Distrito Federal, tenho ~quase~ 22 anos (dezembro já ta aí). Sou estudante de comunicação social e, em um passado não tão distante assim, fui estudante de psicologia. Já tive o cabelo de todas as cores do arco-íris, mas hoje prefiro cuidar pra ele crescer e ficar fortinho. Entre outros aspectos que espero falar em postagens futuras, tenho alguns piercings, alargador e 14 tatuagens.

Costumo ler de Dostoievski a Meg Cabot, mas o que eu gosto mesmo é de distopias: 1984, Admirável mundo novo, jogos vorazes… sem preconceitos, clássicos e modernos possuem um lugar especial na minha prateleira e é por esse motivo que uma das minhas colaborações pro blog serão resenhas de livros. Vou me esforçar pra não dar spoiler e dar notinhas de acordo com o que achei dos livros.

Gosto de desenhar, pintar, costurar, customizar e quando meu tempo permite estou sempre inventando projetos e ideias mirabolantes que passam pela minha cabecinha de vento. Espero colaborar com ideias de DIY para vocês.

Também gosto de moda e acredito que deveria ser acessível para todos que se interessam por ela. Sou plus size e, por isso, estou sempre em busca de adaptações e lojinhas acessíveis que produzam roupas para mulheres grandes como eu, pretendo postar meus looks do dia pelo menos uma vez por semana também!

Por último, sou feminista, militante body positive e sempre que houver oportunidade quero escrever sobre. Espero que vocês curtam minha participação e espero estar trazendo novidades e conteúdos que interessem vocês.

Caso vocês queiram falar comigo, entrem em contato através da pagina do blog ou pela minha pagina pessoal do facebook.

 

Você não precisa disso

Em 01.11.2016   Arquivado em Pessoal e blá blá blá, Textos
Photo by Averie Woodard/Unsplash.com #pracegover Uma mulher branca aparece parcialmente submersa em uma água branca que se parece com leite, apenas com a cabeça e o ombro esquerdo fora d'água. Ela veste uma blusa de tom claro, com dois tons de azul, e olha para a câmera com expressão contemplativa. Ela é loira, olhos azuis e tem glitter na metade esquerda do rosto.

Photo by Averie Woodard/Unsplash.com
#pracegover Uma mulher branca aparece parcialmente submersa em um líquido branco que se parece com leite, apenas com a cabeça e o ombro esquerdo para fora. Ela veste uma camiseta manga longa de cor clara, com dois tons de azul. Ela olha para a câmera com expressão contemplativa. É loira, olhos azuis e tem glitter na metade esquerda do rosto.

 

A gente não precisa mesmo disso.

Nem de maquiagem.

Nem desses cremes redutores de celulites e estrias.

Nem do maiô pra esconder a barriga na praia.

Nem fingir que não gosta de praia porque o que sente é vergonha das estrias espalhadas pelo corpo.

Nem ter crises de alergia e dor causadas pela depilação. Pêlos não são nojentos, eles fazem parte do nosso corpo. É algo natural.

Também não precisa correr em busca de um corpo perfeito pro verão porque o corpo que temos já é ótimo!

A gente não precisa de rímel, batom e blush pra tirar uma foto ou sair de casa.

Não precisa ficar com “carinha de saúde” deixando a bochecha rosada artificialmente.

Nem fazer a sobrancelha pra “desenhar o rosto”.

Sim, tem quem goste de tudo isso. Eu gosto muito de maquiagem, inclusive.

E ok, eu acredito que o “gostar” também é algo construído socialmente, mas isso é assunto pra outro post.

A questão é: não precisamos dessas coisas todas pra ser quem somos.

Repete comigo: a gente não precisa disso.

Eu não me sinto mais culpada por não ter paciência de usar maquiagem todos os dias, nem me sinto mal quando tiro uma selfie e a foto evidencia as minha olheiras de final de semestre, ou que meu rosto tem espinhas.

Você é maravilhosa exatamente do jeito que é! E eu não estou falando “linda”, porque o que eu estou querendo dizer é, justamente, que o padrão de beleza não importa. O “ser linda” é muito relativo, e também muito menos importante agora, porque, acredita em mim: VOCÊ É MARAVILHOSA! E forte! E só por conseguir se aceitar todo dia um pouquinho mais, você é incrível! Ou mesmo se não conseguir se aceitar ainda… tudo bem, você tá tentando.

Porque não é fácil viver numa sociedade gordofóbica, machista, racista, homo/transfóbica e elitista. É difícil e dolorido demais aceitar e entender que não precisamos de um monte de coisas quando a sociedade diz o contrário. É complicado aprender que não precisamos ser magras com a pele sem imperfeições e rosto simétrico, quando aprendemos durante toda a vida que bonito mesmo é ser loirinha de cabelo liso e olho claro, pele bronzeada mas ainda branca, cinturinha fina e manequim 36. Dói e é difícil pra caramba desconstruir esses padrões, mas também é libertador. Porque a verdade é que, pra esse mundo cheio de preconceitos e ideais inalcançáveis, nunca seremos boas o suficiente.

É por isso que eu digo: Migas, vocês são FANTÁSTICAS! Formidáveis, magníficas, notáveis, sensacionais e extraordinárias sendo assim, singulares. Ser mulher nessa sociedade que a gente vive já é revolucionário por si só. Vocês são incríveis.

Eu não sou o meu cabelo

Em 15.08.2016   Arquivado em Cabelos, Pessoal e blá blá blá, Textos

cabelinho

Eu não sou o meu cabelo.
Apesar dele dizer muito sobre quem eu sou, eu não sou só o meu cabelo.

Meu cabelo lilás poderia dizer muito sobre a minha cor preferida, ou sobre como eu aprendi a abstrair completamente dos olhares das pessoas na rua. Diariamente ele me forçava a me importar menos com o que pensavam de mim, porque todos os dias uma pessoa desconhecida dispararia em minha direção um olhar de julgamento.

Meu cabelo curto pode dizer muito a respeito do meu completo desapego dos fios que crescem na minha cabeça, e ele diariamente me faz tentar desconstruir padrões de gênero ou pressões estéticas: “cabelo assim curtinho é cabelo de menina?”. É. Cabelo de menina é como ela quiser. Roupa de menina é o que ela quiser usar. Corpo perfeito é exatamente o corpo que você tem agora: aquele que cumpre perfeitamente a função de ser a sua casa enquanto seu coração estiver batendo. E também não tem problema nenhum se você quiser decorar a sua casa da forma que achar melhor.

Julgamentos precipitados ou preconceituosos acontecem o tempo todo com qualquer coisa que fuja do que é considerado “socialmente aceitável”. Tatuagens, cortes de cabelo diferentes, roupas que fogem do padrão, alargadores e piercings… Eles dizem muito a respeito do que você é, do que gosta, mas eles por si sós não te definem.

Porque desisti do cabelo colorido? Acho que foi um misto de desapego e cansaço… Lógico, um cabelo colorido gera gastos, exige cuidados e uma rotina que a longo prazo pode se tornar bastante cansativa, então por muito tempo eu pensei que esse tinha sido o único motivo que me fez voltar ao cabelo natural, mas não. Eu percebi que a principal razão foi um processo de desapego que tem se manifestado aos poucos.

A nossa essência raramente muda. Usamos de artifícios para externalizar o que sentimos e demonstrar o que somos ou queremos ser, mas se você tirar toda a maquiagem, cor ou comprimento de cabelo, roupas descoladas, tatuagens, piercings, as coisas materiais que você possui, o que sobra? Você. Só você. Você continua sendo você, não importando o que carrega no corpo ou no bolso.

Se um dia eu vou voltar a dar cor aos meus cabelinhos? Sim, provavelmente, mas agora eu acho que estou num processo de me aceitar com menos artifícios e mais essência descomplicada.

Acho que a vida, em geral, é bem simples… a gente é que complica.

“Seja menos curioso sobre as pessoas e mais curioso sobre as ideias.” (Marie Curie)

Antes feito do que perfeito

Em 21.07.2016   Arquivado em Pessoal e blá blá blá, Textos
Photo credit: adoephoto via VisualHunt.com / CC BY-NC-ND

Photo credit: adoephoto via VisualHunt.com / CC BY-NC-ND

Olá, pessoas!

Eu já falei milhares de vezes aqui que tenho dificuldade de colocar as coisas em prática, né? Queria aproveitar as férias curtinhas de julho pra fazer umas mudanças no blog (como vocês podem ver, agora o blog chama só Maruja, apesar de eu continuar sendo marota haha), aí comecei a pirar que devia mudar o layout, aí já começou a dar preguiça de mexer em todo o código e no fim eu vi que isso ia se tornar uma gigantesca bola de neve e resolvi continuar com o layout atual mesmo, fazendo só algumas modificações.

Aí esses dias eu li um texto que me deu um estalo: Eu planejo demais e e por isso não faço nada! Isso tem que mudar! Então agora estou tentando deixar de ser louca e adotar a filosofia do “Feito é melhor que perfeito” e ir fazendo as coisas do jeito que dá e que eu consigo. Eu fico meio frustrada com isso? Sim, com certeza, mas acho que a gente tem que começar de algum lugar, né?

É isso. Só queria compartilhar que aos poucos as mudanças vão acontecer. Por enquanto mudei o título, mais tarde o domínio vai mudar também, pra maruja.blog.br, e uma novidade é: de tanto algumas pessoinhas amadas pedirem, resolvi tentar gravar um vídeo o/ Me aguardem…

Perdoa minha falta de talento pra ser blogueira e não desiste de mim <3

Um beijão, e obrigada pela paciência

Amor romântico mata mulheres

Em 07.03.2016   Arquivado em Textos

Sim, é isso mesmo que você leu. O ideal romântico de amor mata, todos os dias, milhares de mulheres.

Encontrei um texto falando da relação da violência de gênero e o amor romântico e resolvi falar disso aqui no blog.

Eu não sei de quem é essa imagem. Se você souber, por favor, me avise nos comentários para eu poder dar os devidos créditos <3

Eu não sei de quem é essa imagem. Se você souber, por favor, me avise nos comentários para eu poder dar os devidos créditos <3

Amanhã é Dia Internacional na Mulher e, desde que me reconheci como feminista, este dia se tornou muito mais pesado e dolorido do que era quando aprendi seu significado. O Dia Internacional da Mulher marca o dia em que mulheres foram mortas por lutar por salários mais dignos dezenas de anos atrás, e nos dias atuais me lembra também de todas as mulheres que foram mortas pelos próprios parceiros, de todas as mulheres que sofrem em relacionamentos abusivos em nome do “amor”.

O amor romântico é ensinado às mulheres desde o momento em que nascem, seja com a espera pelo príncipe encantado, com a falácia do amor eterno ou com a ideia de que é normal sofrer “por amor”. É esse ideal romântico que nos faz naturalizar violência de gênero, achar ciúme algo saudável, confundir posse com cuidado.

O amor romântico nos ensina naturalizar abuso, porque nos diz que é ok sofrer, ser machucada e humilhada se for pelo “amor verdadeiro”. O amor romântico nos ensina a naturalizar pedofilia porque “amor não tem idade”. O amor romântico nos incentiva a permanecer em relacionamentos nocivos, porque só existe UM amor verdadeiro. O amor romântico nos ensina que existe um príncipe encantado, e que se você o encontra deve permanecer com ele para sempre mesmo que ele se mostre um monstro, porque ele é o “amor da sua vida”. O amor romântico nos diz que é impossível ser feliz sozinha e que ciúme é sinônimo de amor e cuidado. Mas não é.

Ciúme não é cuidado, é sentimento de posse. Pessoas não são coisas, você não pode ter alguém pra si, pode apenas estar com alguém.

É possível ser feliz sozinha SIM, até porque, o único amor verdadeiro é o amor próprio. O romantismo no ensina que precisamos de alguém para sermos completos, mas é mentira. Você não é alguém pela metade! Você é uma pessoa completa e ter alguém do seu lado pode, sim, te trazer alegrias, mas você é completamente capaz de ser feliz na solidão.

O amor romântico incentiva mulheres a atropelarem seu amor próprio enquanto o parceiro abusador pisa na sua auto-estima, mas, acreditem em mim: isso não é amor.

O ideal romântico te encoraja a permanecer do lado de uma pessoa que não te respeita, que mente pra você, que muitas vezes te agride fisicamente, que te trata como lixo. O amor romântico, que é ensinado cansativamente a todas as mulheres, faz com que elas tenham esperança de que a pessoa que as agride vá mudar, porque só existe um amor verdadeiro. Acontece que isso não é verdade! Existem bilhões de seres humanos na face da Terra, é impossível que exista apenas uma pessoa capaz de te fazer feliz em todo o univerno.
O Dia Internacional da Mulher me faz lembrar dos relacionamentos abusivos que já tive, e também me lembra o quanto comportamentos abusivos são recorrentes em relacionamentos amorosos. Mas a gente precisa mudar isso!

E, como fala o texto que mencionei no começo desse post:

“Temos que aprender a romper com os mitos, a nos livrar de imposições de gênero, a dialogar, a desfrutar das pessoas que nos acompanham pelo caminho, a nos unir e nos separar com liberdade, a tratarmos com respeito e ternura, a assimilar as perdas, a construir relações bonitas. Temos que romper com os ciclos de dor que herdamos e reproduzimos inconscientemente, e temos que libertar as mulheres (…) do peso das hierarquias, da tirania dos papéis e da violência. “
Por um mundo com mais amor, menos romantismo e menos naturalização de violência.
Não vou desejar um feliz Dia Internacional da Mulher, porque não é um dia feliz, mas que continue sendo um dia de luta! Força!
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“Pare de se sabotar”, disse o passado

Em 20.10.2015   Arquivado em Pessoal e blá blá blá, Textos
Tem duas coisas que eu nunca devia ter parado na minha vida: dança do ventre e artes marciais.
Achei a única foto que tenho da época em que fazia karatê e fiquei pensando que, se eu não tivesse parado, hoje provavelmente seria faixa preta e estaria completando 8 anos de luta. Oito anos. 
No meu exame de faixa, quando passei da faixa branca para a amarela ^^

No meu exame de faixa, quando passei da faixa branca para a amarela ^^

E a dança? Bom, não tenho nenhuma foto daquela época, mas acredito que já saberia dançar decentemente porque em 5 anos daria para aprender a fazer o “8” com o quadril bem de boa haha
Eu ficava esperando ter dinheiro, depois esperava ter tempo, mas no fim a gente nunca tem os dois e, mesmo quando tem, arranja qualquer desculpa para continuar adiando mesmo assim. Acho que acreditamos pouco em nós mesmos na maior parte do tempo.
Eu não sei vocês, mas eu me saboto o tempo inteiro: para desenhar, para pintar, para voltar a fazer artes marciais, dançar, escrever para esse blog. Eu nunca sou boa o bastante, sempre acho que não mereço investir em mim mesma porque “ah, deixa pra lá… nunca vou evoluir muito mesmo. sou um fracasso”. E isso é ruim, faz mal. Aturo-sabotagem nos impede de crescer.
Hoje eu me dei conta que se eu tive coragem de abrir mão de um curso de jornalismo quase o fim para seguir o que acreditava, tinha que parar de sentir pena de mim mesma. Hoje eu escrevi um email para a Ketryn do futuro e daqui cinco anos ele vai aparecer na minha caixa de entrada para que eu não esqueça do que percebi hoje:
“Eu não como você está e por onde anda, e o máximo que eu posso tentar prever é que talvez já você esteja formada e com a coleção de garrafas de cerveja um pouco maior. É estranho, mas eu queria te pedir só uma coisa: Nunca duvide que você é capaz de qualquer coisa que quiser, tá? É sério! Acredita em ti. Se parou de desenhar ou pintar, volta! Se tem vontade de correr uma maratona, se prepara pra isso e vai! Só não deixa a vida passar sem você fazer as coisas que tem vontade. Não tentar dói mais do que fracassar na tentativa. Seja menos cruel consigo mesma e não deixa bad vibe tomar conta. As coisas na vida real nunca são tão ruins quanto na tua cabeça e eu sei que tu sabes disso. Ah! E o mais importante: Seja a adulta que daria orgulho à criança que você foi um dia.”
be what you want to be
Em tempo: Se você quiser que o seu eu do futuro se lembre de alguma coisa também, pode usar o futureme.org para mandar um email, como eu fiz^^
Não costumo fazer posts tão pessoais, mas enfim… que conselho o seu eu do passado daria para seu eu do futuro? Me conteeem!
Beijo

Os versos de instagram

Em 03.07.2015   Arquivado em Textos

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Vou ser sincero, ser escritor é contar mentiras para fazer com que os outros se sintam melhor. E eu minto para mim também, viu? Repito em minha cabeça meia dúzia de lembranças falsas até que elas se tornem reais. São só um monte de bobagens para nutrir minha esperança e me manter vivo, mas a essa altura da vida eu já não sei mais quais memórias são verdadeiras e quais foram plantadas.

Conheci a Joana na 5ª série. Sei que ela realmente existiu porque tenho uma dessas fotos anuais de colégio onde aparecemos juntos, eu só não sei se ela foi o amor da minha vida ou se foi só uma colega de turma com quem eu mal trocava um oi. Me confundo porque comecei a mentir muito cedo, em parte para passar o tempo imaginando como seria uma vida mais emocionante ou apenas diferente da que eu tinha. O problema é que mentir vicia, é um vício difícil de largar e acabei tornando isso uma profissão.

Sendo tudo real ou não, dor é uma coisa verossímil, né? Tem gente que se identifica e tal… aí eu pego esse monte de mentiras, junto tudo formando uma maior ainda, aumento alguns fatos, acrescento outros detalhes, troco os nomes das pessoas e… voilà! Nasce mais um livro, me autointitulo escritor.

A verdade é que eu escondo a minha frustração escrevendo umas poucas palavras bonitas, mas ao invés disso poderia postar uma foto sorrindo no instagram. Sou meio antiquado.

 

 

Rotaroots: Das cartas que nunca te escrevi

Em 29.09.2014   Arquivado em Pessoal e blá blá blá, Projetos e Tags, Textos

Achei aqui, perdida em um antigo caderno, o que era pra ser uma carta de quando ainda guardava a esperança de contigo encontrar a calmaria que eu conheço hoje.

Em meio às turbulências que vivi, incluindo as tempestades onde te encontrava, sem nome nem data ficou esquecido um sentimento que eu guardava em silêncio.

“Se não fosse tão turbulento, se um dia ao menos eu conseguisse colocar tudo em ordem, se um dia você decidisse se quer ir ou ficar, ai sim, se por ficar, eu também ficaria. Mas nunca fica você aqui. Você vem, mas depois se vai, e aqui fico eu – só – fugindo do querer ficar e do medo de me afogar e me perder no furacão onde te encontro.
Por que só te encontro em tempestades? Eu queria dias de sol. Passear de bicicleta perto do mar num dia com pouco vento, e não só descer ou subir as escadarias de lugares escuros e barulhentos.
É como se seguíssemos sempre o mesmo roteiro e eu não consigo mais me deixar arrastar por essas coisas tortas que sinto quando te vejo comigo no meio das luzes que piscam no escuro. Te ver comigo é saber que vou me arrepender de ter me deixado levar pra me ver contigo mais uma vez, porque o que acontece aqui é finito aqui também, e não continua depois que eu for embora e o dia amanhecer. 
Eu tentei entender o que acontecia, o que havia de errado, mas eu não sei se existe mesmo alguma coisa pra consertar. Eu não sei se o “certo” somos eu e você em outro lugar que não seja aqui, mas essas noites movimentadas tem me cansado. Quero mais do que subir e descer degraus e também não tenho mais onde me segurar quando o vendaval começa. Eu preciso da calmaria que você não quer, preciso de dias de sol. Preciso ir.”

Depois lembrei que um dia você me contou que esperava que as coisas fossem diferentes, que esperava encontrar tranquilidade comigo também, mas é tarde demais. Acho que no fim das contas as coisas são como tem que ser. Hoje eu tenho alguém que me traz a paz que eu precisava e me segura quando estou prestes a cair, diferente daqueles teus temporais que me arrastavam e depois me deixavam no chão.

Espero que um dia você também encontre o que precisa. Quanto a nós, é triste pensar, mas às vezes acho que nunca mais passaremos de meia dúzia de cumprimentos e frases soltas de quem nunca teve muita coisa em comum.

PS: Dos meus roteiros mal escritos e da vida torta que levava, ficaram apenas as cartas que nunca te mandei.

Ketryn

Essa postagem faz parte dos temas de Setembro do Rotaroots.