Eu não sou o meu cabelo

Em 15.08.2016   Arquivado em Cabelos, Pessoal e blá blá blá, Textos

cabelinho

Eu não sou o meu cabelo.
Apesar dele dizer muito sobre quem eu sou, eu não sou só o meu cabelo.

Meu cabelo lilás poderia dizer muito sobre a minha cor preferida, ou sobre como eu aprendi a abstrair completamente dos olhares das pessoas na rua. Diariamente ele me forçava a me importar menos com o que pensavam de mim, porque todos os dias uma pessoa desconhecida dispararia em minha direção um olhar de julgamento.

Meu cabelo curto pode dizer muito a respeito do meu completo desapego dos fios que crescem na minha cabeça, e ele diariamente me faz tentar desconstruir padrões de gênero ou pressões estéticas: “cabelo assim curtinho é cabelo de menina?”. É. Cabelo de menina é como ela quiser. Roupa de menina é o que ela quiser usar. Corpo perfeito é exatamente o corpo que você tem agora: aquele que cumpre perfeitamente a função de ser a sua casa enquanto seu coração estiver batendo. E também não tem problema nenhum se você quiser decorar a sua casa da forma que achar melhor.

Julgamentos precipitados ou preconceituosos acontecem o tempo todo com qualquer coisa que fuja do que é considerado “socialmente aceitável”. Tatuagens, cortes de cabelo diferentes, roupas que fogem do padrão, alargadores e piercings… Eles dizem muito a respeito do que você é, do que gosta, mas eles por si sós não te definem.

Porque desisti do cabelo colorido? Acho que foi um misto de desapego e cansaço… Lógico, um cabelo colorido gera gastos, exige cuidados e uma rotina que a longo prazo pode se tornar bastante cansativa, então por muito tempo eu pensei que esse tinha sido o único motivo que me fez voltar ao cabelo natural, mas não. Eu percebi que a principal razão foi um processo de desapego que tem se manifestado aos poucos.

A nossa essência raramente muda. Usamos de artifícios para externalizar o que sentimos e demonstrar o que somos ou queremos ser, mas se você tirar toda a maquiagem, cor ou comprimento de cabelo, roupas descoladas, tatuagens, piercings, as coisas materiais que você possui, o que sobra? Você. Só você. Você continua sendo você, não importando o que carrega no corpo ou no bolso.

Se um dia eu vou voltar a dar cor aos meus cabelinhos? Sim, provavelmente, mas agora eu acho que estou num processo de me aceitar com menos artifícios e mais essência descomplicada.

Acho que a vida, em geral, é bem simples… a gente é que complica.

“Seja menos curioso sobre as pessoas e mais curioso sobre as ideias.” (Marie Curie)

  • Vitória Bruscato

    Em 15.08.2016

    A melhor coisa do MUNDO é poder fazer o que quiser com você/seu corpo para se sentir bem! Você ficou linda com esse novo visual! Parabéns! :) E o texto tá super amor <3

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  • Ketryn Alves

    agosto 18th, 2016

    Obrigada, gatxenha <3

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  • Thayse

    Em 15.08.2016

    É muito complicado isso, porque de certa maneira a gente cresce vendo todos interessados nas pessoas, e não nas ideias, realmente. E aprendemos isso e reproduzimos isso, acaba que tentamos reduzir isso, mas sempre tem algo ali, por pequeno que seja, do julgamento, do interesse alheio, de fofoca, essas coisas. Acaba sendo um processo de desintoxicação e auto conhecimento, parar pra pensar nas pessoas de outro jeito e trabalhar a nossa empatia, acima do egoísmo. Gostei muito do texto e adoro seu cabelinho, de todos os jeitos haha


    Beijos
    Brilho de Aluguel

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  • Ketryn Alves

    novembro 1st, 2016

    Oin! Obrigada ♥
    Mas é isso mesmo, é um eterno exercício de empatia e desconstrução, né? Não é fácil.

    Beijão!

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  • Paola Natasha Fernandes

    Em 15.08.2016

    Acho que estamos nesse mesmo barco, meu cabelo é incrível e eu amo ele, mas eu não sou só isso, e nem posso ser julgada por isso. Meu caráter, meu esforço, minhas qualidades e defeitos não dependem do tom do meu cabelo.
    Em fim, amei o post <3
    Sexo, Fraldas e Rock’n Roll

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  • Ketryn Alves

    novembro 1st, 2016

    Que bom que gostou! ♥

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